Dicas de Saúde

10/01/2017

Saiba os motivos e as técnicas para exercitar os músculos do assoalho pélvico – Disfunções do Assoalho Pélvico

Texto escrito por Patrícia Diniz

fotos-16Todos nós queremos corpos saudáveis e bonitos. Músculos do abdômen, dos membros superiores e inferiores bem definidos são muito atraentes. Porém, se não forem exercitados regularmente, perdem sua beleza e se tornam flácidos.

O mesmo acontece com os músculos do assoalho pélvico que também precisam ser exercitados, mas acabam sendo esquecidos por estarem no interior da pelve.

Imagine que você está deitada sobre uma rede, e esta deve ser resistente para que possa lhe sustentar. Além disso, esta rede deve estar bem fixa para que não se solte com o seu peso e faça você cair. É exatamente essa a função da musculatura do assoalho pélvico, sustentar os órgãos da pelve como bexiga, reto, órgãos reprodutivos femininos e próstata. Além disso, essa musculatura realiza o controle da continência urinária e fecal e a função sexual.

Alguns fatores como: obesidade, tosse crônica, atividade de alto impacto, cirurgias, gestação, parto e menopausa contribuem para o surgimento de lesões musculares da pelve. Fatores como, hereditariedade e tipo de colágeno do indivíduo podem aumentar as chances de desenvolver esta disfunção.

As manifestações clínicas que podem aparecer quando há disfunção do assoalho pélvico envolvem:

  • Constipação(intestino preso);
  • sensação de esvaziamento incompleto do reto, o que pode ocasionar uma incontinência fecal, em decorrência do esforço repetitivo para eliminação das fezes ainda presentes no reto;
  • prolapso (queda) dos órgãos pélvicos;
  • incontinência urinária e fecal (perda involuntária de urina e fezes);
  • disfunção sexual (dor na relação sexual, contração involuntária dificultando a penetração, sensação de fraqueza ou flacidez vaginal e diminuição da libido);

Essas disfunções surgem quando a musculatura está fraca e não funciona adequadamente. Como qualquer outro músculo do corpo, se a musculatura do assoalho pélvico não estiver forte o suficiente, ela pode enfraquecer gradativamente.

Não existe um exame específico para avaliar a musculatura e detectar a perda de força. Por isso, se faz necessária uma análise detalhada do histórico e quadro clínico do paciente, juntamente com um exame físico. Uma avaliação inadequada pode levar a um diagnóstico incorreto e indicações cirúrgicas desnecessárias. Com um diagnóstico correto e precoce, o tratamento adequado é iniciado e previne problemas futuros.

A Fisioterapia hoje conta com profissionais especializados em Uroginecologia e Obstetrícia, que auxiliam o paciente na reeducação da musculatura perineal,  através de exercícios simples e orientações, para prevenir e tratar estas disfunções, visando sempre a saúde e ao bem-estar do paciente  O tratamento pode ser feito de diferentes formas:

  • Biofeedback: é a terapia mais comum no tratamento da disfunção do assoalho pélvico. Permite que o paciente identifique os músculos a serem trabalhados, aumentando a percepção sensorial, reestabelecendo a coordenação e o controle motor voluntário, resultando em uma melhora funcional e, consequentemente, os sintomas.
  • Treinamento dos músculos do assoalho pélvico – realizado através de exercícios específicos, o paciente consegue identificar os músculos e realizar um treino individualizado para a disfunção apresentada, aprendendo a associar os exercícios nas atividades diária.
  • Eletroestimulação – utilizada para tratamento de pacientes que apresentam sintomas de urgência miccional e auxilia na melhora da força.
  • Terapia comportamental – através de modificações comportamentais, o paciente é orientado a controlar a ingestão de líquidos durante o dia e à noite, controlar os intervalos entre as micções, diminuir o consumo de alimentos irritativos para a bexiga, tais como, café, chá, refrigerantes e álcool, aprende a controlar a alimentação, através do consumo de alimentos mais saudáveis e ricos em fibras, como frutas, verduras diminuindo o peso corporal e melhorando os hábitos intestinais e realizar atividade física.

Dra Patrícia Diniz

Especialista em Fisioterapia Pélvica