Dicas de Saúde

11/04/2017

Riscos e benefícios do consumo de chocolate

Foto profissionalTexto escrito por Dra Tatiana Magri

 Estamos a poucos dias da páscoa e já podemos ver uma variedade de ovos e barras de chocolate, caixas de bombons e outros produtos relacionados. Para quem gosta de comer esse alimento, passar pelos corredores de supermercados e lojas pode ser uma verdadeira tentação.

Entre os diversos tipos de chocolate e produtos derivados do cacau, os mais consumidos certamente são o chocolate ao leite e o do tipo “fondant” que é muito utilizado para preparar tortas e doces. Temos ainda, o chocolate branco, meio amargo, amargo, diet e orgânico. Abaixo estão descritas as características dos tipos de chocolates citados:

  • Chocolate ao leite: produto preparado com pasta de cacau, açúcar e leite, leite em pó evaporado ou condensado, entre outros ingredientes. Por serem ricos em açúcares e gorduras, apresentam elevado teor calórico e um sabor bastante agradável ao paladar doce. Os produtos podem conter quantidades menores de cacau e serem adicionados ou não de amêndoas, avelã, amendoim, nozes, mel e outras substâncias alimentícias.
  • Chocolate branco: é o produto obtido a partir da mistura de manteiga de cacau com outros ingredientes. Pode apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Assim como o chocolate ao leite, apresenta elevado teor calórico por ser rico em açúcares e gorduras.
  • Chocolate meio amargo: possui quantidades intermediárias de cacau, e redução de açúcares e gorduras em relação ao chocolate ao leite.
  • Chocolate amargo: preparado com maior quantidade de cacau e menos açúcar. Pode ou não conter adição de leite. A quantidade de cacau presente nesses produtos pode ser superior a 60%.
  • Chocolate diet: apresenta massa de cacau, leite em pó e soro de leite. Há restrição de açúcares e adição de edulcorantes. Nesses produtos há um acréscimo de gordura para manter as características e sabor do alimento, e por isso não é um produto com redução de calorias. Pode conter a mesma quantidade de calorias do chocolate ao leite ou ainda ser mais calóricos.
  • Chocolate orgânico: a composição é idêntica ao produto similar, porém, ingredientes como o cacau, por exemplo, foram preparados e cultivados num sistema livre de produtos químicos como os agrotóxicos e pesticidas.

O consumo excessivo de chocolates ricos em açúcares e gorduras está diretamente relacionado com o aumento da obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. O óleo de palma e a gordura hidrogenada, também conhecida como gordura trans, presentes nesses produtos, conferem a consistência e cremosidade característica e ainda aumentam o seu tempo de duração. Já se sabe que a gordura trans eleva significativamente o colesterol LDL, considerado prejudicial, e reduz o colesterol HDL, um aliado da nossa saúde. Essas gorduras ainda promovem acúmulo de gordura abdominal e resistência à insulina o que promove o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Atualmente, a indústria vem utilizando um processo conhecido como interesterificação química na tentativa de reduzir ou retirar a gordura trans de seus produtos. Porém, diversos estudos têm demonstrado que o consumo frequente da gordura derivada da interesterificação também promove obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.

Além disso, o consumo excessivo de carboidratos e açúcares simples podem promover alterações hormonais que tem ligação direta com o desenvolvimento da acne.

Mulheres que costumam ter candidíase com frequência também devem evitar o consumo frequente desse alimento, pois os açúcares simples presentes aumentam a proliferação do fungo causador dessa doença.

Mas nem tudo está perdido! Nos últimos anos, a ciência tem demonstrado benefícios do consumo de chocolate com elevado teor de cacau. Esse componente do chocolate contém substâncias denominadas de flavonoides, que apresentam efeitos cardioprotetores, pois melhoram a função plaquetária, a sensibilidade à insulina, reduzem a pressão arterial, e ainda tem importante papel antioxidante.

Como demonstrado inicialmente, o chocolate ao leite, apresenta aproximadamente 30% de cacau, enquanto o chocolate meio amargo e amargo apresentam 41 e 70% respectivamente. Já o chocolate branco, que em muitas literaturas nem é considerado chocolate, contém apenas 4% de cacau, pois é feito apenas com a massa desse ingrediente.

Como a presença de flavonoides está relacionada com a quantidade de cacau utilizada na fabricação, os chocolates amargo e meio amargo são aqueles que mais trazem benefícios à saúde quando consumidos. Porém, é recomendado que não haja um consumo excessivo desses alimentos, pois a presença de outros componentes como açúcares e gorduras pode aumentar o ganho de peso, e dessa forma os riscos se tornam maiores que os benefícios.

Por último, recomenda-se que se tenha um hábito alimentar saudável, caracterizado por uma ingestão variada e adequada de frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas, pois isso auxilia no controle do ganho de peso e reduz o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. Nesse contexto o consumo moderado de chocolate não seria um fator de risco, principalmente se for dada preferência àqueles que contém maior quantidade de cacau.

Tatiana Magri    Nutricionista / CRN/1 n° 9875

E-mail: tatiananutri@thaliamaia.com.br