Dicas de Saúde

23/06/2016

Quem nunca ouviu falar que “grávida tem que comer por dois”? Mas será que este ditado popular esta certo?

Já tive a oportunidade de discorrer aqui neste espaço sobre a importância de se ter uma alimentação adequada na gestação. Porém gostaria de aprofundar um pouco mais sobre esse tema.

As alterações fisiológicas que ocorrem durante esse período, exigem da mãe uma maior necessidade de nutrientes, e isso varia ao longo das fases da gestação. Porém isso não quer dizer que a gestante necessite se alimentar demasiadamente ou sem controle. O excesso de alimentos ingeridos promove ganho de peso elevado, o que aumenta o risco para diabetes gestacional e síndrome hipertensiva, assim como a retenção de peso pós-parto. Porém, o contrário também deve ser evitado. Uma ingestão alimentar insuficiente, caracterizada por reduzida oferta de nutrientes para a mãe e bebê, pode levar a um baixo ganho de peso materno resultando em problemas como partos pré-maturos, nascimento de crianças com baixo peso ou com restrição no seu crescimento, entre outros.

O cálculo do ganho de peso total recomendado até o final da gestação é realizado com base no estado nutricional pré-gestacional, ou seja, a partir do IMC anterior ao início da gravidez, como descrito abaixo:

  • Baixo peso – 12,5 a 18,0 kg
  • Normal – 11,5 a 16,0 kg
  • Sobrepeso – 7,0 a 11,5 kg
  • Obesidade – 6,0 a 7,0 kg

Além da preocupação com o ganho de peso adequado, a qualidade da alimentação também deve ter sua devida atenção. A ingestão inadequada de proteínas, gorduras e carboidratos, ou a inadequação da oferta de vitaminas e minerais durante a gestação e amamentação, podem levar a problemas no desenvolvimento da criança, isso a curto, médio e longo prazo. Neste sentido, fortes evidências demonstram que alterações no padrão alimentar materno, tais como, dietas ricas em gordura ou, especificamente, em ácidos graxos saturados, ricas em carboidratos ou deficientes em proteínas e diferentes vitaminas e minerais, durante a gestação e lactação, são capazes de aumentar o risco de desenvolvimento de síndrome metabólica na vida adulta

A esse fato damos o nome de “programação metabólica”, já bastante difundida na literatura. O período de gestação e lactação é considerado uma “janela crítica” para o desenvolvimento fetal, onde a presença de fatores ambientais, como a alimentação, pode ocasionar alterações fisiológicas até mesmo na vida adulta deste indivíduo. Em minha dissertação de mestrado tive a oportunidade de aprofundar sobre esse tema.

Sendo assim é importante que a gestante procure orientação nutricional de um profissional especializado na área, para que possa receber todas as informações e o cuidado necessário com a alimentação nessa fase, visando a boa saúde da mãe e bebê.

 

Tatiana Magri    Nutricionista / CRN/1 n° 9875

E-mail: tatiananutri@thaliamaia.com.br

Fontes:

  • Tatiana P. R. Magri; Flávia S. Fernandes; Amanda S. Souza; Larissa G. Langhi; Thiago Barboza; Vanessa Misan; Daniela B. Mucci; Raísa M. Santos; Thaiza F. Nunes; Sergio A. Souza; Valéria M. Coelho; Maria das Gracas Tavares do Carmo. - Interesterified fat or palm oil as substitutes for partially hydrogenated fat in maternal diet can program obesity in adult offspring. Clinical Nutrition, 2014.
  • American College of Obstetricians and Gynecologists - Committee Opinion. Weight Gain During Pregnancy. 2013
  • BRUCE, K.D.; HANSON, M.A. - The developmental origins, mechanisms, and implications of metabolic syndrome. J Nutr., v 140, n.3, p. 648-652, mar 2010.
  • GLUCKMAN, P.D.; HANSON, M.A. - Developmental plasticity and human disease: research directions. J Intern Med., v 261, n.5, p. 461-471, may 2007.