Dicas de Saúde

24/02/2017

Ginecologia de carnaval: 10 principais dúvidas sobre DST’s – Coluna Qual Farmácia

O Carnaval chegou. Esse é um ótimo momento para relembrar os cuidados na hora da transa e  o que fazer quando suspeitar ter uma DST. Essas são doenças transmitidas através de relação sexual quando um dos parceiros está infectado. Sífilis, gonorréia, clamídia, cancro mole, tricomonas, condiloma acuminado (HPV), herpes, HIV e muitas outras estão por aí. É bastante frequente o surgimento de dúvidas sobre esse tema no consultório e mitos precisam ser derrubados.

 

1. Mulheres e homens descobrem DST da mesma forma?

Não. As mulheres possuem uma anatomia bastante diferente do homem. As lesões podem surgir nas partes mais internas tornando difícil a visualização pela própria mulher. Parte dessas lesões não causam dor, e quando ocorrem na vagina ou colo do útero por exemplo, podem ficar camufladas e acabamos descobrindo só quando aparecem complicações. Por isso é importante realizar uma consulta sempre que houver suspeita ou se a relação foi sem proteção. Algumas alterações na secreção podem ser sutis e a mulher que não está atenta ao seu corpo e não observa seu padrão, pode deixar escapar um corrimento alterado.

2. Camisinha protege contra todas as doenças?

Não. Infelizmente o uso do preservativo não oferece proteção total para todas as DST’s. Falando do HPV por exemplo, que pode ser transmitido mesmo com uso de preservativo já que o vírus do HPV coloniza a região genital. Ou seja, é possível a sua transmissão mesmo com uso de camisinha. Vale lembrar que as verrugas podem estar no púbis ou na bolsa escrotal onde a camisinha não oferece proteção. O contato direto com lesões de herpes também pode transmitir a doença. Mesmo assim o uso do preservativo continua importantíssimo. Ele funciona muito bem para doenças como HIV, sífilis, clamídia, gonorréia e diminui muito a chance de contágio de HPV, mesmo não sendo 100% eficaz.

 

3. É fácil perceber se o parceiro tem uma DST?

Não. Não é assim tão óbvio perceber isso. Muitos não apresentam sintoma algum. Algumas DST’s podem não apresentar sintomas, tanto no homem quanto na mulher. Outras podem demorar semanas, meses e até anos para as primeiras manifestações. Os sintomas podem ser visíveis com úlceras, bolhas, corrimentos e verrugas, mas nem sempre.

 

4. Se eu tiver uma DST saberei, pois todas apresentam sintomas?

Perigo! Como expliquei no item 3, nem sempre os sintomas são visíveis. Se ocorreu alguma exposição de risco como por exemplo, relação sem camisinha, é preciso procurar atendimento, fazer os exames e ser orientada. Mulher com dor ou sangramento na relação sexual, dor no baixo ventre, ou corrimento e homem com corrimento no pênis, dor ao urinar, ou de qualquer um dos parceiros com manchas, verrugas, bolhas, feridas em qualquer parte da área genital e perianal também devem procurar atendimento.

 

5. Quando aparece uma ferida ou corrimento significa que tenho DST?

Não, nem toda úlcera e secreção alterada é necessariamente uma DST. A avaliação médica é indispensável para diferenciá-las.

 

5. Só as pessoas com mais de um parceiro sexual correm risco de contrair DSTs?

Costumo dizer que essa frase ajudou para que as solteiras passassem a se proteger mais e assim terem menos doenças e faz as casadas ou com relacionamentos estáveis aparecerem já com estágios bem avançados de doenças. Hoje no meu consultório, trato mais as mulheres casadas e mães de adolescentes que as próprias adolescentes. Mães levam suas filhas preocupadas com doenças e gravidez e não estão tão atentas assim para si mesmas. Não importa com quantos você transa, mas quem transa com você. As pesquisas atuais indicam que em 70% dos casais já houve sexo fora da parceria fixa. Homens e mulheres com relações sexuais casuais que não se protegem, entram na cadeia de transmissão. Não existe mais grupo de risco. Não importa qual é a orientação sexual, se é homem ou mulher ou se tem vários parceiros sexuais.

 

7. Mulher em relação homossexual não pega DSTs?

Errado. A transmissão ocorre pelo contato com fluidos biológicos, não é só o esperma que transmite.

 

8. DSTs só se pega com penetração? Se não ejacular dentro, não pego?

O líquido que sai antes da ejaculação pode tanto conter espermatozóides e dessa forma gerar uma gravidez, quanto transmitir doenças. Todo contato de mucosas com secreções corporais e além disso o próprio contato e fricção da região genital, mesmo sem penetração, pode transmitir HPV. A verruga está lá, na parte externa, e nela a concentração do vírus é bastante alta. Tanto no sexo vaginal, quanto anal e oral existe um risco. Mesmo no sexo oral, sem ejaculação na boca, apesar do risco baixo, existe chance, principalmente para herpes e sífilis.

 

9. Todos devem fazer teste de DSTs?

A recomendação do Ministério da Saúde não é o uso indiscriminado de testes. Qualquer pessoa com vida sexual ativa corre o risco de contrair DST’s. Haverá indicação para quem se envolver em comportamentos de risco. Não consideramos mais o grupo e sim o comportamento.

 

10. Anticoncepcional aumenta o risco de contrair DSTs?

Uso de anticoncepcional não aumenta o risco de DST’s, as pessoas deixam de usar camisinha e a falta da camisinha que leva à doença.

E lembre-se! Ocorrendo alguma atividade sexual desprotegida ou se você suspeita da infecção do parceiro é importante realizar uma consulta com sua médica para avaliar a necessidade de tratamentos e orientação sobre rastreio de possíveis DST’s. Em caso de surgimento de lesões, verrugas, úlceras, bolhas ou corrimento irregular, procure atendimento médico o mais rápido possível.

A quantidade de pessoas contraindo doenças sexualmente transmissíveis está aumentando. Precisamos nos cuidar!

 

Dra Thalia Maia

CRM DF 19006

Fontes:

  • Site