Dicas de Saúde

13/02/2017

Febre amarela: tudo que você precisa saber

 Texto escrito por Dra Lara Pereira
Este é um tema que vem assustando muitas pessoas. Depois da Zica, Dengue e Chikungunya temos mais um vilão… a Febre Amarela. Mas porque a preocupação agora?
Na verdade a Febre Amarela é uma doença infecciosa não contagiosa, com primeiro caso descrito no Brasil em 1685, que se mantém endêmica nas florestas tropicais da América e África causando periodicamente surtos isolados ou epidemias de maior ou menor impacto em saúde pública, sendo transmitida ao homem mediante a picada de insetos hematófagos da família Culicidae, em especial dos gêneros Aedes e Haemagogus. Esses insetos transmitem o vírus da Febre Amarela, um Flavivirus da família Flaviviridae. O que estamos vivendo agora é um desses surtos esporádicos. O maior desde 2003 quando houve relato de casos em 20 municípios de Minas Gerais. Entre as causas estariam maior circulação do vírus, desmatamento e mudanças do clima que favorecem a proliferação dos mosquitos transmissores da forma silvestre da doença.Quais são os sintomas?
Cerca de 90% dos casos da doença apresentam-se com formas clínicas benignas que evoluem para a cura dentro de 2 a 3 dias, enquanto 10% desenvolvem quadros mais graves com mortalidade em torno de 50%.- Quadros Leves: Até 2 dias com febre, cefaleia e astenia. Os principais afetados são crianças e adultos que tem anticorpos adquiridos
– Quadros Moderados: Entre 2 e 3 dias com febre, cefaleia, astenia, mialgias generalizadas, artralgias, náuseas e vômitos, presença de icterícia. Os principais afetados são pessoas que já possuem imunidade a outros flavovírus
– Quadros Graves: Em 3 a 5 dias aparecem febre alta, astenia, intensa cefaleia, mialgias, artralgias, dor abdominal, náuseas, vômitos, hepatomegalia e dissociação pulso-temperatura. Os principais afetados são pessoas succetíveis com imunidade cruzada para outros flavovírusTratamento:
Atualmente, não há tratamento específico, sendo feito apenas para suporte e inclui analgésicos, antitérmicos e antieméticos. A doença é autolimitada e os quadros leves e moderados evoluem para cura espontaneamente. Nos casos mais graves, deve ser evitado o uso de medicamentos que podem provocar hemorragias, como, por exemplo, os aintinflamatórios (Ibuprofeno, cetoprofeno e AAS). Dessa forma, prefere-se utilizar a dipirona, o paracetamol e seus derivados.

Prevenção:
Como a transmissão da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes e Haemagogus infectados, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

Recomendações da vacina:
Quadro em anexo.

Portanto, se você apresenta algum desses sintomas deve procurar o médico para atendimento e avaliação clínica. O diagnóstico é feito por sorologias e a partir do terceiro dia de doença já se tem uma positividade no teste satisfatória. O mais importante é o combate ao mosquito transmissor, evitando deixar água parada, seja suja ou limpa, para eliminar criadouros, além de atualizar seu cartão vacinal.

Dra Lara Pereira

CRM-DF 20630
Médica Infectologista Pediátrica