Dicas de Saúde

10/08/2016

Congelamento de óvulos/preservação da fertilidade: Quem deve fazer e quando fazer?

Texto escrito por Andréa Damasceno Vieira

Congelamento de óvulos/preservação da fertilidade: Quem deve fazer e quando fazer? 

IMG_4434Hoje em dia, a idéia de se postergar a maternidade é cada vez mais comum, na maioria das vezes por motivos profissionais. As mulheres do mundo moderno desejam adiar a maternidade para primeiro alcançar seus objetivos profissionais, o que geralmente ocorre após os 30 anos de idade.

A saúde geral da mulher e seu estado físico infelizmente não são um retrato da função ovulatória e, em especial, da qualidade dos óvulos. Os estudos mostram declínio da qualidade dos óvulos a partir dos 32 anos de idade, com rápido declínio após os 35 anos.

Além da maior dificuldade para engravidar após os 35 anos, há aumento do risco de malformações fetais, síndromes cromossômicas (como síndrome de Down) e de abortos. Em se tratando da síndrome de Down, que é a mais comum, seu risco é de 1/1000 mulheres aos 30 anos de idade, 1/100 aos 40 anos e 1/10 aos 49 anos de idade.

A melhor técnica de congelamento é a vitrificação de óvulos.  O congelamento, assim como qualquer outra técnica de reprodução assistida, não é garantia de gestação,  porém aumenta muitos as chances tendo em vista de que a mulher estará utilizando  óvulos da idade reprodutiva em que foram congelados. A chance de engravidar seria em torno de 45% por tentativa de fertilização caso o congelamento de óvulos tenha ocorrido até os 35 anos de idade. Exemplificando, uma mulher aos 40 anos que descongela e utiliza seus óvulos congelados aos 35 anos terá a mesma probabilidade de engravidar que uma mulher com 35 anos de idade.

A maioria dos estudos mostra que, devido ao declínio importante da reserva e qualidade de óvulos após os 35 anos, as mulheres que desejem postergar a maternidade para além desta idade, deveriam submeter-se ao tratamento de vitrificação de óvulos. A idade de 38 anos é descrita na maioria dos trabalhos científicos como a idade máxima para realizar o congelamento de óvulos. Algumas pacientes, porém, podem submeter-se ao tratamento após essa idade, contanto que estejam bem orientadas com relação à menor chance de sucesso.

Além da postergação da maternidade, o congelamento de óvulos pode ser feito como forma de se preservar a fertilidade em mulheres que serão submetidas a tratamento oncológico com a retirada dos ovários e/ou radio ou quimioterapia, o que pode acarretar uma menopausa precoce. Mais uma utilidade do tratamento seria para casais que estão se submetendo a tratamento de reprodução assistida e, por motivos éticos ou religiosos, não querem realizar o congelamento de embriões. O congelamento de óvulos certamente é uma opção nesses casos.

Os estudos ainda não definiram prazo máximo para a utilização dos óvulos congelados. Teoricamente, o tempo de congelamento não tem impacto sobre a sobrevida dos óvulos e sim a técnica utilizada na hora do congelamento.

 

Dra. Andréa Damasceno Vieira

CRM-DF 13.740/TEGO 041-2009

Médica Ginecologista-Obstetra/Especialidade em Reprodução Assistida