Dicas de Saúde

06/06/2016

Atendimento ginecológico para mulher homossexual e bissexual

Resolvi fazer esse texto após saber que meu nome esta na lista de Médicas Amigas de Lésbicas que circula pela internet. Que pena que existe uma lista assim e que bom que existe uma lista assim.

Entender sobre o tema e a dinâmica das diversas práticas sexuais possíveis é o primeiro passo para um atendimento bem sucedido, livre de constragimentos.

A Saúde sexual e reprodutiva nas mulheres com práticas homossexuais e bissexuais é pouco conhecida e, infelizmente, ainda pouco estudada. Não há planejamento satisfatório de ações preventivas às DST destinadas ao grupo, muitas evitam a consulta ginecológica por imaginar não ser necessária ou por experiência prévia de frustração com algum profissional despreparado.

Em estudo realizado pela Universidade da Bahia apenas 28% das mulheres verbalizaram suas práticas ao médico, na maioria das vezes a iniciativa de falar foi da própria paciente (88,6%) e somente em 5,1% o médico abordou este assunto. Das mulheres que não falaram com o ginecologista sobre sua orientação sexual, 30,6% receberam indicação de uso de métodos anticoncepcionais, 19,4% receberam indicação de uso de preservativo masculino (supondo relações heterossexuais). Outro estudo indicou que 80% dos profissionais preferem não lidar com esse tema.

Falar sobre a prática sexual na consulta ajuda a avaliar os fatores de risco relacionados a doenças e permite adequada orientação sobre prevenção e uso de métodos contraceptivos quando realmente necessários. Isso não tem relação com julgamento ou preconceito, é direcionamento de acordo com demanda e atendimento volta às necessidades reais.

Leia sobre Conceitos: identidade de gênero e orientação sexual.

A paciente com atividade homossexual está sujeita a doenças agudas e crônicas da mesma forma que a heterossexual, porém chamo atenção para algumas particularidades:

– Mulheres que tem relação com mulheres raramente apresentam queixas de disfunção sexual e anorgasmia.

– Nos casos onde a paciente não aceita seu desejo por pessoa do mesmo sexo pode haver maior risco de transtornos de ansiedade, depressão, aumento do consumo de medicamentos, de álcool e de drogas em geral. Esse quadro muitas vezes está associado à homofobia, discriminação, rejeição pela família e amigos, comportamentos autodestrutivos, além de índice aumentado de suicídio, pelo sofrimento causado pela necessidade de ocultar sua identidade sexual real. Não podemos negligenciar.

Lei sobre Disforias de Gênero e Transtorno Egodistônico. O tratamento visa melhor ajuste psicológico, maior satisfação consigo e com a parceira. Não há tratamento de homossexualidade, apenas da não aceitação.

– Desejo de Gestação: a ginecologista deve estar preparada para orientar sobre as diversas possibilidades disponíveis na atualidade.

– Risco de DST existe sim. Muitas mulheres acreditam que não ter sexo com homem é fator protetor para doenças sexualmente transmissíveis. É importante destacar que o rastreamento e acompanhamento ginecológico está indicado a todas as mulheres, jovens, adultas e no climáterio independente do tipo de parceria sexual.

– Prática sexual: com ou sem manipulação da vagina, com manipulação apenas de clitóris, uso de acessórios ou não. É importante saber essas questões para um melhor atendimento, orientando higiene adequada de acessórios, conversando para que a paciente não tenha medo de dor durante o exame ginecológico caso não tenha manipulação frequente do canal vaginal e assim vai…

O objetivo da consulta ginecológico só será alcançado se a confiança e a relação médico-paciente não for abalada. Para isso as características e as escolhas de cada uma devem ser tratadas de forma afetuosa e humana, adequando a melhor abordagem e tratamento às particularidades da mulher com empatia, independete das crenças do profissional de saúde.

ORIENTAÇÃO SEXUAL: Relaciona-se ao objeto de desejo
– Heterossexual – relacionamento afetivo/sexual apenas com pessoas do sexo oposto ao sexo biológico do indivíduo;
– Homossexual – relacionamento afetivo/sexual apenas com pessoas do mesmo sexo biológico do indivíduo;
– Bissexual – relacionamento afetivo/sexual com pessoas de ambos os sexos biológicos;

IDENTIDADE DE GÊNERO: como a pessoa se sente em relação ao seu corpo, como ela se vê nos papéis de gêneros existentes e que comportamento assume em relação a roupas, comportamentos e papéis sexuais.
– Exclusivamente Masculino
– Exclusivamente Feminino
– Variação entre masculino e feminino
– Transexual – busca ou já executou a troca de sexo
– Travesti – homem com comportamento feminino (existindo aqui várias categorias de travestismo).