Dicas de Saúde

06/01/2017

Aleitamento materno = Amor + Persistência. Dicas sobre a pega correta.

 Texto escrito por  Inajara Biroli

ina-consultorioÉ consenso em todo o mundo que o leite materno é o melhor alimento para o recém-nascido. Bebês que mamam no peito são menos suscetíveis à infecções, tem menor risco de apresentar obesidade na vida adulta e são mais inteligentes. Amamentar o bebê é um dos momentos mais prazerosos na vida da maioria das mamães, mas pode se tornar um motivo de grande preocupação quando o bebê apresenta alguma dificuldade para mamar. É essencial para futuras mamães se informar sobre o assunto e entender que a amamentação, apesar de ser um ato fisiológico e natural, precisa ser aprendida.

O bebê deve ser amamentado em livre demanda, ou seja, deve mamar a hora que quiser e por quanto tempo quiser. É comum os bebês mamarem mais vezes em intervalos menores nos primeiros dias de vida e irem ajustando o tempo e volume de mamada e descanso com o passar das primeiras semanas. Se o bebê mama e fica calmo após a mamada, dorme regularmente e faz xixi várias vezes ao dia, ele provavelmente está mamando bem e não há motivo para preocupação. Por outro lado, um bebê que quer mamar toda hora mas parece sempre insatisfeito e choroso, não dorme bem e demora muitas horas para fazer xixi, provavelmente está com a pega incorreta. Isso pode acarretar fissuras nas mamas e muita dor durante a amamentação, fato que leva muitas mamães ao desespero e frustração e que pode levá-las a tomar decisões equivocadas como começar a dar fórmula artificial para o bebê.

Então quais seriam os sinais que ajudam à identificar uma pega correta?

  • O bebê deve estar bem aconchegado no colo da mãe com a cabeça alinhada ao corpo e completamente voltado para ela, de forma que suas barrigas estejam em contato. Um bebê com o pescocinho dobrado para o lado não vai conseguir sugar efetivamente;
  • O bebê com boa pega abre bem a boca e abocanha quase toda a aréola, de forma que seu queixo fica encostado na mama. É importante notar também o lábio inferior evertido, ou seja, virado para fora;
  • Em alguns casos, se a mãe tem mamas grandes e mais pesadas, pode ser necessário que ela segure a mama com a mão em forma de C e ofereça o seio ao bebê dando sustentação à mama.
  • O principal: a mamãe não deve sentir dor.

Outro ponto importante é desmistificar a possibilidade de “leite fraco” ou “insuficiente”. Salvo em alguns casos raros e muito específicos, a quantidade de leite é suficiente e será o único alimento necessário para o bebê até o sexto mês de idade, conforme recomendação do Ministério da Saúde. Além disso é recomendado que o aleitamento seja mantido associado à alimentação complementar até os 2 anos de idade.

A mamãe deve aceitar ajuda e absorver todas as informações possíveis durante a estadia na maternidade. Lá ela terá contato com muitos profissionais (como pediatras, enfermeiras e fonoaudiólogas) especializados em orientar a amamentação e que lidam com essas dificuldades diariamente. Aprender a fazer massagem e extrair o leite da mama, amamentar com o bebê em diferentes posições e saber conferir os sinais de uma amamentação eficiente podem ser a diferença entre o sucesso ou não da amamentação. Portanto, não há motivo para pressa na alta da maternidade caso o bebê ainda esteja aprendendo a mamar. O mais importante é que a mamãe vá para casa segura sabendo que está fazendo o melhor para o seu bebê.

Após a alta da maternidade, é fundamental que se comece o acompanhamento do bebê com o pediatra até a segunda semana de vida, momento em que a recuperação do peso e o sucesso da amamentação serão reavaliados e o vínculo de confiança entre esse novo profissional e a família da criança começará a ser formado.

Dra Inajara Marinho    CRM-DF 14397

Médica Pediatra

fadadindinhapediatria@gmail.com

 

Fontes:

  • Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect Victora, Cesar G et al. The Lancet , Volume 387 (Jan 2016), Issue 10017 , 475 – 490 -
  • - Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 184 p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica ; n. 23)